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Home Blog VBlog > Reflexão Sobre Rodas
VBlog > Reflexão Sobre Rodas
 
02/09/2010
20 dias depois...
Como era de se esperar, a versão embelezada do Censo de Pessoas com Deficiência de São José dos Campos ainda não está disponível para a população.

Era demais mesmo esperar que a assessoria cumprisse este prazo.

Atualização às 10:15

Na mesma rádio daquela vez, o Dr. Luiz Antônio, respondendo ao meu e-mail , disse que o boneco (a versão digitalizada antes de ir para a gráfica) já está pronto e está esperando os prazos da gráfica.

Ele acredita que em uma semana a gráfica entrega o material.

Esperemos (eu já cansando, viu? ahhhh)
26/08/2010
Fala, povo...
Caramba... há quanto tempo não posto, não é?

Em primeiro lugar, preciso pedir desculpas a vocês, mas é que eu estou mesmo sem tempo para escrever. Lembra que ia começar a trabalhar? Pois bem, não está fácil para conciliar com o blog.

A experiência de trabalhar num ambiente institucional não é tanta novidade assim pra mim, entretanto, das outras vezes, eu era estagiário e as cobranças eram bem menores.

Um dos aspectos importantes da empresa é que eu sou tratado e cobrado da mesma forma que qualquer outro funcionário, sem essa de “coitadinho” etc e tal.

Eles respeitam e são conscientes das minhas necessidades e limitações físicas.

Tenho pouco tempo de empresa e é certeza que meu crescimento pessoal e profissional, não só como jornalista, será muito grande.
18/08/2010
Existe, mas não aparece...
Não sei se já contei aqui, mas durante um tempo na minha vida, lá pelos 14 anos, pensei em ser um nadador. Sempre gostei muito de nadar, não só como recreação ou terapia, mas cheguei a afirmar um dia que disputaria uma paraolimpíada. Infelizmente parei de nada tem um tempo e não cheguei nem a competir.

Enquanto o Daniel Dias conquista algumas medalhas de ouro no mundial de natação esta semana lá na Holanda, eu preciso ficar igual a assessor de imprensa de time de futebol da série D, (busca, busca e não acha nada) para saber realmente o que está rolando na terra onde a areia é mais baixa do que o oceano.

Não quero entrar no mérito das competições serem exibidas na TV aberta. Isso não acontece nem nas Paraolimpíadas, o que dirá num torneio mundial? Mas os sites esportivos poderiam fazer a parte que lhes cabem.

Ta bom... alguns escrevem quando um brasileiro conquista medalha, entretanto falta análise, comparações. Os sites só sabem falar da tal superação de limites, de quebra de paradigmas. Pra mim, este discurso está pra lá de ultrapassado, precisamos enxergá-los como enxergamos o Cesar Cielo, a Fabíola Molina, ou seja, podemos “exigir” deles resultados de alto nível, como esperamos dos atletas sem deficiência.

Daí, alguém me atropela e pergunta: por que vossa senhoria, como um jornalista que acha o máximo, não faz isso em vez de cornetar seus colegas que têm mais o que fazer?

Se eu tivesse condições de me manter informado e tempo e uma estrutura de redação para manter tudo atualizado, com certeza faria com o maior prazer do planeta. Contudo, minha renda ainda não provém do jornalismo, nem inclusivo, muito menos esportivo.

Jornalismo não dá pra fazer dentro de um quarto na frente de um computador com internet e um telefone, nem mesmo o digital. E blog, não permite muito a variação de textos pelo seu formato e linguagem de persuasão.

Ta, me desculpem se exagerei nas baboseiras de hoje, mas acho que remédio pro resfriado que tomei fez aumentar esse índice.
13/08/2010
Daqui 20 dias... Será?
E o Dr Luiz Antonio prometeu hoje, numa rádio, que em 20 dias os resultados do censo nosso de cada dia serão divulgados em formato de cartilha.

Segundo ele, os dados ja foram tabulados e só falta a elaboração do material (aqueles bonitinhos que a prefeitura faz) para aí sim sabermos o resultado...

Dia 2 de setembro, "tamo" aí pedindo o meu material.
11/08/2010
Errei...
Por Luis Daniel

Gente, eu sei que já tem um tempo que eu deveria ter feito isso, mas vou confessar pra vocês, a minha imaturidade não deixou e hoje quero escrever sobre isso.

Há um tempo, quando a Globo ainda estava passando a novela "Viver a vida", muita gente me perguntou o que eu achava das piadinhas que os programas de televisão faziam sobre a deficiência da personagem da Alinne Moraes (Ta, eu já esqueci o nome dela, eu sei...).

E eu resolvi responder e não agradei muitos dos meus leitores na época que me criticaram duramente porque eu defendi os tais programas humorísticos. No "alto da minha imaturidade", eu disse que quem não gostasse das minhas opiniões, que deixassem de me ler, assim deixei "claro" que só me replicassem aqueles que concordassem comigo. Um mega-erro.

Nesse período que escrevo sobre inclusão, vivo dizendo que cada pessoa com deficiência é uma deficiência diferente e acabei me contradizendo quando "dispensei" os leitores.

Assim como cada deficiente precisa ser tratado de forma específica, o mesmo encara de maneiras diversas a situação da deficiência. Filosofei demais, né?

Cada deficiente tem sua própria forma de sua condição, de menor mobilidade, a dependência para fazer atividades simples.

Nesse tempo, ouvi vários especialistas dizerem que quem adquire a deficiência já com certa idade, tem mais dificuldade para superar seus próprios preconceitos, mas isso também não é uma regra.

Quem nasceu com a deficiência ou adquiriu quando ainda era muito pequeno encara com menos dificuldade com suas limitações, pois cresceu com elas, mas também pode ter seus momentos de receios.

Eu não soube seguir meu próprio pensamento de que “cada deficiente tem uma deficiência diferente” e pode ver a sociedade num ponto de vista contrário ao meu.

Não sei se vai adiantar eu pedir desculpas depois de tanto tempo do ocorrido, mas estou procurando não cometer os mesmos erros e respeitar a pluralidade de ideias. Me desculpem.
09/08/2010
Censo da deficiência e a Deficiência do censo
Por Luis Daniel

Após três meses da promessa, a prefeitura ainda não divulgou o resultado do censo das pessoas com deficiência, realizado pela APDE.

Em abril, este blog foi recebido pelo vice-prefeito de São José dos Campos e assessor da APDE, Dr. Luiz Antonio Ângelo da Silva (PSB) e afirmou que por volta de 30 dias após aquela data. Entretanto, desde o começo de julho a resposta é a mesma: “O relatório está em elaboração”. O Dr Luiz Antonio afirmou que cerca de 4 mil questionários foram respondidos dos 200 mil distribuídos de forma extraoficial, em entrevista exclusiva.

Fica difícil de entender como pode demorar tanto para se fazer um relatório desses dados. Não é segredo para ninguém que os dados foram tabuladaos pela Faculdade Anhanguera, Mas há mais de um mês está na APDE para a se fazer o relatório.

A pergunta que este blog está recebendo há muito tempo é quando esses dados serão divulgados e isso nem mesmo quem trabalha lá sabe responder

O grande problema é que essa demora gera ainda mais descrédito neste censo, que já é questionado desde sua distribuição e se descobriu que o tema acessibilidade não era mencionado em nenhum dos pontos abordados.

Resta saber quando a prefeitura vai tratar as pessoas com deficiência de forma séria e mostrando resultados sem ficar só no discurso da inclusão, como se vê nos eventos e propagandas nos veículos de comunicação promovidos pela administração pública.

Atenção: este post é uma substituição ao vinculado às 16:45 por decisão de seu autor.
02/08/2010
Vamos ler um pouco?
Por Luis Daniel

Há tempos planejo trazer aqui no blog algumas indicações literárias sobre inclusão. Desde que comecei a escrever, conheci diversos títulos e histórias interessantes.

Entretanto, para aqueles que militam (nossa, isso parece coisa de partido político) na causa da pessoa com deficiência há algum tempo não deverá encontrar novidades, é mesmo para quem quer ou precisa conhecer mais a causa mesmo.

Quando eu estava na faculdade, um de meus melhores amigos, o Fernando Banzi, de quem, aliás, estou com muita saudade, me presenteou com um Best-seller da década de 80, (muita gente já deve ter sacado que livro é...) e serve ainda pra muitas pessoas que querem entender as mudanças na vida de quem vai parar numa cadeira de rodas.

Feliz Ano Velho conta a história de Marcelo Rubens Paiva depois de pula de uma piscina e sua vida muda completamente depois que ouve um “Biiiiinnn”. Com muito humor Marcelo relata seus momentos no hospital, intercalando com lembranças da infância e da juventude. Ele explora bem sua sexualidade antes do acidente e suas expectativas para o que viria.



A ultima versão do livro foi editada em 2006 e hoje também conta com uma versão em audiobook de 2008.

Nesse mesmo tom, a publicitária Juliana Carvalho escreveu Na minha cadeira ou na tua? este ano, que classifico como a versão feminina e atualizada do livro do Marcelo. O titulo já deixa bem clara a intenção do livro. Tratar da sexualidade do cadeirante, sobretudo da mesma forma que se trata da sexualidade de todos.



Pra finalizar, um livro que ainda não li, mas também é uma biografia interessante: Amputados e vencedores de Flavio Peralta, sobre sua história e conflitos familiares por causa da deficiência depois de uma amputação.



Ainda esta semana, vou tentar trazer outros livros e com outros enfoques da inclusão.
27/07/2010
Ah, minha São José
Por Luis Daniel

São José dos Campos, a cidade onde eu nasci e vivo até hoje. Desses 243 anos estou há apenas um pouco mais de um décimo do tempo.

Já é pleonasmo dizer, mas ela é a cidade dos contrastes. Vive o ápice da tecnologia aeroespacial, enquanto contrata com as características de cidade do interior, bem rural.

Nos meus 25 anos, vi uma cidade que não tinha escolas para receber alunos com algum tipo de deficiência no ensino público e hoje possui um dos maiores projetos de acessibilidade do Estado e quem sabe, do país. Seria muita hipocrisia de minha parte negar isso.

Estudei numa escola pública perto da minha casa que só tinha escada (ou então, uma rampa para a entrada de carros dos professores). Hoje, ela tem uma rampa de acordo com as leis paralela à mesma escada.

Aqui no blog, exerço meu direito de cidadão e o dever de jornalista para termos uma sociedade cada dia melhor. Reclamo pois sei dos potenciais de São José e não por apenas reclamar.

Há muito o que fazer, em termos de inclusão, mas que não diz respeito somente à infraestrutura, políticas públicas e o cumprimento das leis e sim na mentalidade das pessoas em geral.

Não digo que nunca vou sair de “Sanja”, mas vai precisar ser algo que me dê garantias de um futuro mais próspero e com qualidade de vida, caso contrário, aqui sempre será o meu lugar.

Parabéns a São José, pelos seus 243 anos de muita história pra contar.

Sei que estou meio atrasado, mas esta é minha homenagem à minha cidade.
22/07/2010
Se eu soubesse antes, o que sei agora
Por Luis Daniel

Estou lendo um livro de uma amiga, seu TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) que fala, claro, de pessoas com deficiência. Estou bem no começo, mas já fez lembrar de várias histórias da época de faculdade. Esta talvez tenha sido a primeira vez que pensei em escrever sobre inclusão.

No primeiro ano da faculdade, sempre temos que fazer as visitas técnicas - conhecer empresas do ramo em que vamos atuar. Adivinhem qual foi a primeira visita técnica que fiz pra onde fui...

Quem pensou na "poderosa" acertou (Opa, estou escrevendo no VNews, né? olha o respeito, menino!!!). Mas quem está achando que vou falar da acessibilidade da TV Globo, errou e feio.

Me lembro muito bem daquele dia. Fomos de ônibus até a sede paulista da emissora, chegando, lá precisávamos nos dividir em grupo para que 40 estudantes baderneiros do interior não invadissem os estúdios da TV

Do nada, alguém acha melhor que o menino da cadeira de rodas, no caso eu, tinha que ir na primeira turma, que por sei lá motivo, não tinha nenhum de seus colegas de sala, somente um professor que não dava aula para ele e um monte de alunos de anos superiores se sentindo!

Resultado: depois fiquei sem assunto com a galera da sala. Eu não sabia, mas aquele dia eu seria iniciado no mundo do HDTV (que pra mim, HD era só o disco de dados do computador, sério!)

Depois da visita, precisávamos arrumar algo para comer, porque, pelo menos naquela época, a Globo não oferecia nenhum lanchinho para seus visitantes universitários e assim começa "meu drama":

O professor Filipe e eu fomos encarar a selva de pedras paulistana para sair da TV e chegar ao Shopping Morumbi.

Num dado momento, nos deparamos com cruzamento e pasmem: tinha uma rampa bacaninha para descer! Agora pasmem mais ainda e chorem comigo (tá todo mundo sentado, né?). Quando estávamos no meio da rua literalmente, percebemos que no outro lado da calçada, a rampa simplesmente não existia. Vai parecer biba, mas fiquei chocado com aquilo!

Eu realmente estava aprendendo como era ser um pouquinho independente dos meus pais. Estava eu ali no meio da rua ao lado de um monte de gente que eu mal conhecia, mas era quem poderia me ajudar.

Pensei comigo: vou ter que escrever algo sobre isso porque não é possível isso acontecer (como eu era inocente!)

Fizemos uma manobras radicais e conseguimos subir a calçada sem eu precisar me estatelar no chão.

Comecei a contar pra todo mundo aquele absurdo e todos diziam que deveria fazer isso mesmo! Mas não fiz...
20/07/2010
Esforço é bom eu gosto
Por Luis Daniel

Estão a fim de um tema polêmico? Então hoje vai um...

Esses dias, falei aqui no blog que existe uma “espécie” de deficiente que adora ser ajudado pelos outros, quando na verdade, não precisaria de tanta ajuda assim e hoje quero ir mais fundo ao assunto. Posso? (como se tivesse de pedir permissão a alguém aqui hehehe).

Já deixo bem claro no começo que nem todos são assim, muito menos a maioria.

Tem ser humano que está na cadeira rodas que faz que questão de dizer que não sabe ou não tem forças para empurrar a cadeira só para os outros oferecerem auxílio e ele – com aquela cara de cachorrinho abandonado – faz o “sacrifício” de aceitar a ajuda, assim bem cara de pau.

Ainda tem aquele que o mais indicado era estar numa cadeira de rodas e faz questão de não estar para ser carregado pelos outros daqui para ou de cá para lá.

Quando eu fui pedir a minha cadeira motorizada na prefeitura em 2006, um dos critérios de avaliação era a minha necessidade de uma. Não por faltar forças nos braços parara conduzir uma cadeira manual, e sim pelas atividades que eu tinha no dia-a-dia e não precisar de ajuda para me locomover em longas distâncias (claro, quando há acessibilidade adequada).

Conheço gente que não pode nem pensar em fazer força que já cansa, é louco para ter uma cadeira de rodas motorizada, mas nem para isso se esforça.

Cansei de ver por ai, deficientes que têm condições claras de estar trabalhando formalmente, mas não está porque têm medo de perder os benefícios pagos pelo governo , como o LOAS. Ou seja, receber sem trabalhar.

Não estou dizendo que essas pessoas poderiam ser completamente independentes (impossível!!!), mas sou daqueles que pensam quanto mais autonomia e produtividade melhor.

Desculpem a quem não tem nada a ver com isso, mas o que escrevi estava engasgado na “guela” deste jornalista que tenta um lugar ao sol (ou numa redação que “tava bão demais!!!”).

 
 Perfil
Luis Daniel é um jovem jornalista e vive sobre quatro rodas desde que nasceu e acha que ainda mudará o mundo. Aqui no VNews, ele escreve sobre um as sunto que ele pensa que entende um pouco: o mundo da pessoa com deficiência, cheio de dificuldades, mas repleto de conquistas.
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