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05/02/2010
Vai entender... Eu pelo menos não entendi
Quem acompanha o blog desde o começo, deve se lembrar de um perrengue que eu passei quando fui participar de evento da Prefeitura de São José no Parque Tecnológico em abril do ano passado.

O post acho que não aparece mais aqui nos histórico do VNews, mas quem quiser saber da história toda pode clicar aqui, em um post do meu antigo Reflexão.

Mas em resumo, eu fui participar de um evento sobre Planejamento Urbano por lá e me encontrei com uma “humilde escadinha” para chegar até o auditório onde tudo seria realizado.

Logo após o perrengue e ter feito um post no blog, fiz uma reclamação ao Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência, relatei o ocorrido e pedi uma resposta oficial do poder público. Demorou para a resposta chegar.

O presidente do conselho, Wanderley de Assis, me disse, tempos depois, de forma informal, que a prefeitura estava estudando um projeto para a colocação de um elevador portátil no local. Era a mesma resposta que a administração do local havia me dado no evento.

Pois bem, há uma semana, fui participar de outro evento lá no parque (agora num outro auditório acessível). Depois fui lá onde era para eles terem colocado o elevador portátil. Para minha “bela” surpresa, após nove meses, o elevador não tinha nascido (risos).

Então, resolvi pedir uma resposta do porquê eles ainda não tomaram nenhuma providência em relação à minha solicitação. Enviei um e-mail à assessoria de imprensa da Assessoria de Políticas para Pessoas com Deficiência (que incrivelmente tem a sigla de APDE, não sei porque).

E a resposta que me mandaram foi que a prefeitura não recebeu nenhuma reclamação do conselho sobre este assunto. Juro que o Wanderley falou pra mim que tinha mandado o e-mail para a prefeitura e que prometeram o elevador.

Assim fica difícil de acreditar no poder público joseense. Ele diz que “melhora a vida das pessoas”, mas vive dando suas escorreegadas.

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03/02/2010
Uma resposta devida
Gente, eu costumo a responder os comentários via e-mail (Eu sei, não é todo comentário que eu respondo, mas é que se eu não faço na hora, eu me esqueço, sério!), mas eu recebi um comentário que eu achei que merecia um post.

A leitora Kaori disse que sempre me lê, mas que dessa vez resolveu comentar e me fazer uma pergunta.

Ela é tetraplégica,tem um cachorro da raça Golden Retriever e ela me disse que é muito difícil entrar em hotéis e pousadas, apartamentos, entre outros com seu animalzinho.

Então, ela me perguntou se eu teria alguma dica para dar a ela.

É o seguinte, a situação é complicada mesmo. Geralmente esses lugares não permitem a entrada de animais de grande porte.

A única deficiência que tem autorização legal para entrar em qualquer lugar é a visual, quando a pessoa tem um cão-guia, que é muito raro aqui no Brasil.

A solução mesmo é o bom senso, como sempre. Uma boa conversa PODE ajudar a resolver.

Entretanto, se algum lugar ou alguém barrar a sua entrada ou a de qualquer outra pessoa por causa da deficiência, aí, meus amigos, não tem nem choro, nem vela (como diz a minha mãe), a lei esta do lado da gente. Pode reclamar que você ganha.

Bom, espero ter ajudado.

Ah, deem uma olhada no que já comentaram neste post, também pode ajudar.

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26/01/2010
Ah, o tapete, sempre ele
Quando eu era criança, ia com bastante frequência a consultórios médicos. Era neurologista, ortopedista, otorrinolaringologista (vai, vocês conseguem ler isso, eu acredito) entre outros “istas”.

Um personagem bastante regular nesses lugares era o meu “amigo” carpete (e claro, o aspirador de pó).

Com a “feliz” intenção de arrumar a casa, minha mãe sempre gostou de ter um tapetinho na sala e obviamente na porta da sala e outro na cozinha. Até eu quis ter meu tapetinho do Senninha no quarto.

Até os meus sete anos, eu nem ligava para eles, entretanto ganhei minha cadeira de rodas e a coisa mudou...

Gente, vocês não imaginam como um pedaço de tecido atrapalha a vida de uma cadeirante. É um tal de “enrosca-enrosca” entre a roda da cadeira e tapete, só não detalho aqui para “manter o nível” deste blog (que nível?).

Mas de forma prática é assim: a rodinha da frente, na maioria das vezes, é menor e tem dificuldade de subir o ressalto que está à sua frente. Como esse ressalto é móvel, ele se enrola todo nas rodas.

Isso sem falar, ou melhor, citar a alta aderência que o tapete exerce sobre a borracha do pneu. Então, o ser humano que sentado na cadeira de rodas tem que fazer uma força bem grande para se locomover em cima do tapete (ou carpete).

Quando vejo um, já de longe, me desespero. É certo que vou ter problemas sérios de acessibilidade para aquele lugar.

Uma casa sem tapetes ou aquele que é fácil de ser removido são os melhores negócios para o povo da cadeira de rodas.

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23/01/2010
Verão é sinônimo de... praia...
Fim de semana e para que é ou trabalha em “Sampa” (minha ex-futura cidade, rs), tem feriado na segunda-feira, então, uma praia caria bem, se não fosse a nossa amigona do verão: a Zona de Convergência do Atlântico Sul, que tem mandado bastante água do céu e estragando os planos de todo mundo.

Mas para quem quiser descer a Serra do Mar, trago hoje algumas dicas da minha amiga Micheli Castilho de Oliveira, 27 anos, a Mih, que mora em Caraguatatuba. Ela possui Distrofia Muscular e dá vários passeios de cadeira de rodas pelas praias do Litoral Norte.

Credito: Arquivo pessoal
Micheli Castilho de Oliveira, 27 anos, dá vários passeios de cadeira de rodas pelas praias do litoral


Aqui em Caraguá há alguns lugares onde nós, cadeirantes, podemos circular, com hotéis adaptados, como o "Hotel Mar" e "Hotel Caraguá". Tem a pizzaria “Dom Quixote”, com banheiro adaptado, que fica no calçadão da avenida principal da praia.

Os Quiosques “Flávio” e o “Nápoli” são acessíveis, este ultimo com sorvetes e um açaí maravilhoso, ele também fica no calçadão no centro da cidade.

Das praias aqui de Caraguá, a melhor é a Prainha, onde o mar é mais tranquilo, quase que sem ondas, mas aos fins de semanas o bom é chegar mais cedo para encontrar um lugar legal para se instalar, porque ela fica cheia.Nesta época, a cidade fica cheia, mas com jeitinho se roda legal por aqui.

Já em São Sebastião, vários comércios da orla têm acesso por rampas, com banheiros adaptados.A melhor praia é a Praia Grande, que tem toda uma estrutura, com praça, vestuários e banheiro adaptado, muito bacana e o mar também é bem tranquilo.

À noite, ha shows gratuitos, que conta com áreas reservadas para pessoa com deficiência.

Enfim, não tem nada melhor no verão do que curtir no litoral, praias, passeios na orla, sorvetes, shows. Afinal, somos filhos de Deus.


E aí, anotaram as dicas? Sempre é bom saber os lugares acessíveis para não ter dor de cabeça na hora de se divertir, seja onde for.

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19/01/2010
"Bora" ver São José no Basquete?
Gente, não é minha linha reeditar material que recebo de assessorias de imprensa, mas eu acho que esse vale a pena pelo momento esportivo que a cidade de São José dos Campos vive, como todos devem saber, o time de basquete joseense começa a disputar hoje as finais do campeonato paulista em “Sampa” contra o Paulistano.

Entretanto, os próximos dois jogos serão aqui o ginásio da Associação Esportiva São José. Juro que faz anos (até décadas) que não entro lá. Mas a prefeitura disse no “release” (matérias feitas por assessorias) que vai garantir o acesso de pessoas com deficiência (e não “portadores” como está no e-mail) ao ginásio, com uma entrada exclusiva, no primeiro portão do clube.

Ainda de acordo com a nota da assessoria, “o acesso às arquibancadas reservadas será possível graças à instalação de um elevador projetado sob medida e que seguiu especificações de segurança”. Serão 12 lugares reservados (será que um é meu?), seis em cada lado do ginásio. E agentes da prefeitura estarão lá para auxiliar quem precisar.

Gostei da ideia, mas agora quero saber se entro como imprensa ou cadeirante hehehe e ver se vai dar tudo certo.

Ah, os jogos serão dia 22 (sexta-feira), às 20h e 24 (domingo), sempre no ginásio da AESJ, com entrada gratuita.

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15/01/2010
Opinem e cornetem a novela
Me digam o que estão achando da recuperação de Luciana, em Viver a Vida.

As melhores repostas serão republicadas aqui no blog, por isso, deixem seus nomes e a cidade/estado onde moram junto no comentário.

Desde já, agradeço e bom fim de semana a todos...
11/01/2010
O espelho
Fala meu povo (Ei, Daniel aqui é um blog e não um podcast, aqui é escrita e não fala, acorda...). E aí, como vocês foram de festas? Todo mundo se comportou direitinho? Ninguém deu vexame, né?

É, 2010 chegou e já está mais do que na hora do Reflexão sobre rodas voltar à ativa. Depois de alguns dias de descanso, o gás é total para o novo ano, que promete e muito.

Começo esta nova temporada com uma história que me aconteceu faz uns cinco anos, na minha última passagem pela Terapia Ocupacional. Numa sessão, ainda na fase de (re)avaliação, a minha eterna terapeuta Inês Barricelli, me disse que eu precisava me olhar no espelho. (aí, vocês vão me perguntar, Daniel, você não tem espelho em casa??? Calma, sempre tive espelho...).

Eu fiquei sem entender muito o que ela queria dizer com aquilo. Ela tentava me explicar, mas nada entrava na minha cabeça dura. Até que um dia, eu me interessei por uma garota, e pela primeira vez na história deste que vos escreve, resolvi chamá-la para sair, não era exatamente um encontro, mas sim uma companhia para ir a uma festa (de roça).

Credito: Google

Quando eu estava me arrumando, me deparei com minha imagem no espelho. Levei um susto!! Vi um cara, de 20 anos, com a barba mal feita, cabelo todo desajeitado, rosto cheio de espinhas, que mal sabia se vestir e que não se sentava direito na cadeira de rodas.

Com aquilo, me lembrei exatamente das palavras da Inês na terapia e pensei: “putz, Daniel, como você é feio, assim você nunca vai conseguir conquistar ninguém...”.

Peguei minha máquina de barbear, não é sempre que uso a lâmina, e arranquei aqueles fios da cara. Cortar o cabelo, àquela altura do campeonato, já não dava muito tempo, então, peguei um gel perdido no guarda-roupa e ajeitei o cabelo por ali mesmo, fiquei, por assim dizer, “bunitinho”. Cortei o cabelo na semana seguinte.

Depois dessa, aprendi que ficar bem arrumado é mais do que simplesmente, ajeitar o cabelo e passar um perfume. A aparência é o “cartão de visitas” de todas as pessoas, não importa a condição física, nem mental dela.

Muitas pessoas com deficiência, principalmente os cadeirantes, ou seus cuidadores, não se preocupam com a aparência e saem por aí de qualquer jeito; e assim acabam sendo “excluídos”, não pela condição física, mas é porque não cuidam do próprio corpo. Alguns podem até não gostar disso e achar complicado, mas isso ajuda e muito no convívio entre as pessoas.

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22/12/2009
Calçadão, fim de ano e afins...
Credito: Reprodução / Rede Vanguarda Já que o pessoal já comprou todos os meus presentes pro natal deste ano, eu resolvi ir comprar algumas lembrancinhas para retribuir, mas leiam bem uma lembrancinha, só para não passar em branco a data.

A coisa está tão feia este ano, que ao invés de eu ir fazer compras no shopping, eu resolvi ir à “25 de março joseense”, guardadas as devidas proporções, a popular 7 de setembro. Aliás, por que essas ruas de comércio varejista é tudo data histórica?

Mas voltando ao assunto, tive de ir ao calçadão, como é também conhecido, porque, apesar de shopping ganhar de longe, os preços de lá eu consigo fazer um crediário e pagar (as lembrancinhas).

Todavia, expressão que nunca antes usei na vida em textos publicados, esse negócio de calçadão tira a seriedade da cabeça do Daniel. Não pelo tanto de gente tem, bem parecido aos shoppings e sim pela impossibilidade de encontrar uma loja que seja que tenha um misero lugar com acessibilidade para uma cadeira de rodas entrar. Como dizem lá no Twitter #totalmentefail.

Alô prefeitura, cadê a fiscalização? Ah, me esqueci, vocês não trabalham com essas coisas de acessibilidade, né? Foi mal o esquecimento deste “pé rapado” jornalista.

Às vezes, eu tenho a impressão que toda pessoa com deficiência tem que ser rica, pois as aparelhagens são de preços inalcançáveis aos mortais, e tem que fazer compras em shopping porque no centro é impossível de fazer qualquer tipo de tentativa de comercialização.

Mudando de assunto um pouco, a dica do cinema para este fim de ano é Avatar, muito bom. E ao contrário do que disse a repórter da Globo que o personagem principal do filme, Jake, não me perguntem o nome do ator, que não lembro (vai ao Google, por favor),não fica “preso” a uma cadeira de rodas, diga-se de passagem, o cara é muito mais independente que eu.

Gente, aproveito este post para me despedir de vocês em 2009, vou tirar uma folguinha até a segunda semana de janeiro, mereço, né?

Desejo a todos um Feliz Natal, cheio de luz, alegria e saúde. Que 2010 seja muito melhor que 2009, que pelo menos pra mim, foi um dos melhores dos últimos 24 anos haha. Espero que tenham gostado das reflexões sobre rodas e continuem a me acompanhar no ano do Hexa na África.

Bom, até o ano que vem e juízo pra todo mundo, inclusive pra mim hehe, Beber sem dirigir e se pintar um clima, já sabem, né?

Abraço, LD
16/12/2009
Só porque é Natal?
E aí, todo mudo já comprou o meu presente de Natal?

Essa é uma época que o planeta ocidental resolve ir por completo ao shopping, fila é o que mais tem. É fila pra comprar comida, pra achar lugar na praça de alimentação, pra abrir o crediário e claro, para ir ao banheiro.

Mas vou confessar pra vocês, a parte mais complicada de ir ao shopping em dezembro é achar uma vaga no estacionamento. (Ei, Daniel, vocês não têm aquelas vagas reservadas com aquele desenhinho azul? Sim, mas sintam o drama aí).

O ser humano com deficiência chega ao estacionamento, que parece mais revendedora de carro, e não tem vaga para ele estacionar seu carrinho comprado em 360 prestações sem juros e ainda não completamente adaptado.

Nem aquelas vagas que, em tese, são exclusivas para pessoas com deficiência estão, na maioria das vezes, disponíveis. Leia bem, eu disse: EXCLUSIVAS, não preferenciais como caixas de banco ou supermercado.

Credito: Luis Daniel
Conhecem esse shopping, né?

Reparem bem que este carro não tem o adesivo de identificação que tem deficiente no carro, o que ajuda muito para saber se a pessoa tem direito a vaga ou não e os deficientes sabem disso.

Será que esse povo é tão mal-educado que nem alfabetizado é para ler a plaquinha?

Ta, eu vou explicar um coisa: não é porque eu sou cadeirante que quero uma vaga exclusiva pra mim, mas as vagas para pessoas com deficiência em um espaço a mais para que a mobilidade do deficiente seja maior, a chamada Faixa de Transferência. Que, aliás, muitos motociclistas gostam de parar suas motos por lá também.

Credito: Arquitetura Acessível - Thais Frota

Pessoas, não é porque o estacionamento está lotado que aquela vaga do deficiente pode ser usada por qualquer um, né não?

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09/12/2009
Prefeitura "esquece" da ACESSIBILIDADE em censo
Gente, não sei se todos sabem, mas aqui em São José dos Campos, a Assessoria de Políticas para Pessoas com deficiência está realizando um censo para pessoas com deficiência. Segundo a assessoria, o censo é para identificar onde estão e como estão os deficientes da cidade e poder ver o que eles podem fazer com a gente, bacana, né não?

Então, este ser humano pegou esses dias o formulário para responder, até porque, antes de ser jornalista, ter um blog que tem chamada na TV (ahhhh vai ser exibido lá em Marte, vai!!!), eu ando de cadeira de rodas e tenho que participar do censo.

O questionário começa, como sempre, com os dados como idade, sexo, região onde mora, que tipo de deficiência e assim vai... Lá pelas tantas, como diria minha mãe, eles perguntam se a pessoa com deficiência trabalha, qual a renda da pessoa, se não trabalha, por qual motivo.

Credito: APDE - PMSJC

Galera, nessa pergunta o Daniel ficou um pouco bravo para ser bonzinho. As alternativas são as seguintes:

Não se sente apto ou nunca procurou emprego,
As empresas procuradas exigem experiência e/ou qualificação
Falta de oportunidade (ausência de postos de trabalho)
Possui benefícios INSS, LOAS, BPC, aposentadoria.
Possui negocio próprio ou pensão
.
Menor de idade

Sentiram falta de alguma opção? Não? Mas eu senti. Cadê a FALTA DE ACESSIBILIDADE DAS EMPRESAS??? É alternativa básica, né, não?

Eu já contei aqui pra vocês, que fui “barrado no baile” várias vezes porque a empresa onde fui tentar uma vaga não tinha acessiblidade para eu permanecer lá com minha perna, ops, minha cadeira de rodas.

Aí eu pergunto: como uma assessoria de políticas para a pessoa com deficiência, procurando “melhorar a vida das pessoas” se esquece de um item imprescindível na inclusão das pessoas com deficiência que é a ACESSIBILIDADE?

Manda o manual do bom jornalismo que se ouça o outro lado da questão. Eu liguei lá na assessoria eles me informaram que não tinham se atentado a este DETALHE e que foi bom eu ter alertado. Mas a pessoa ressaltou que este é um questionário prévio é questões mais aprofundadas serão feitas a seguir.

Entretanto cabe lembrar que acessibilidade não é questão profunda é necessidade básica constitucional.

Outro fato: o item acessibilidade não está em NENHUMA QUESTÃO do censo, alguém pode explicar isso? Eles me responderam, mas não me convenceram.

Não estou dizendo que para boicotarem o censo por este PEQUENO equívoco, muito pelo contrário, gostaria que todos respondessem e alertassem o erro, para mostrar que a gente não aceita tudo o que eles mandam fazer. A gente também vê que eles erram, por mais boa vontade que tenham.
07/12/2009
O papel da mídia na inclusão
Eu me sinto à vontade para falar do entrevistado de hoje da série Profissionais da inclusão. Ele é um dos grandes motivadores pessoais e profissionais pra que, até então, o “diário sem rumo” que era o Reflexão sobre rodas, se focasse no tema da inclusão da pessoa com deficiência e chegasse, logo depois ao VNews, ou seja, eu estar aqui com vocês.

O jornalista Jairo Marques é o contador de histórias do blog mais acessado e comentado da Folha Online, o Assim como Você que já citei aqui diversas vezes e tenho o prazer de conhecê-lo pessoalmente.

Em seu diário, ele conta suas experiências sobre uma cadeira de rodas desde quando era um “minininho bão” lá nas “Trelagoa” (MS) até se tornar jornalista em dos maiores veículos de comunicação do país.

Trago hoje a opinião dele sobre como a mídia tem tratado a inclusão da pessoa com deficiência atualmente. Ele critica a postura de alguns jornalistas que tratam os deficientes como coitadinhos e ele também fala dá alta exposição que o tema tomado na mídia em geral.

Com vocês, o meu “padrinho”, Jairo Marques.



Blog - Como você avalia o uso pela mídia atualmente para promover a inclusão da pessoa com deficiência?

Jairo Marques - Geralmente, o interesse da mídia é em assuntos do senso comum: histórias de superação, deficiente que se ferrou por causa da violência no trânsito, sofrimento desse povo sem perna, sem braço e cadeirante diante do descaso público. Essas visões são importantes, mas não são únicas e, a meu ver, não vão ganhar a guerra.
O deficiente quer ser retratado como cidadão e não mais como um coitadinho que fica com um pires na mão pedindo caridade. Falta uma abordagem diferenciada sobre o que precisamos para ter uma vida melhor, falta mostrar como essa vida pode ser melhor, falta mostrar que não somos seres de outro mundo e que temos vida social, sexual, cultural e queremos ter mais facilidade de acessos também nessas esferas.


À esquerda, o coordenador do Movimento SuperAção, Billy Saga


Blog - Com o que a mídia precisa tomar cuidado para não se tornar pejorativo e nem caricato?

Jairo - Precisa se informar mais, pesquisar mais, querer entender um pouco mais desse mundo paralelo em que vivemos. Tem muito jornalista que não faz ideia da razão de precisarmos de um banheiro exclusivo, por exemplo. Tem jornalista que acredita que a reabilitação faz um lesado medular grave voltar a andar em questão de meses.
A pauta sobre a deficiência precisa mudar. Ninguém aguenta mais a visão "chora leitor" das reportagens. É preciso inovar, avançar em outros aspectos importantes desse grupo social composto por milhares de pessoas no Brasil.


Blog - Pra você, a inclusão, que tem se tornado tema de reportagens e novelas, pode virar modismo e depois cair no esquecimento? Como fazer isso não acontecer?

Jairo - Realmente, o tema está "bombando", mas avalio que esse modismo irá permanecer por um bom tempo. Digo isso porque ainda falta praticamente tudo para tornar esse país minimamente acessível.
Então, assuntos não irão faltar. De qualquer forma, é fato que os holofotes estão virados para esse pessoal "malacabado" e é preciso ter atenção para usar bem esses espaços. E vamos garantir a permanência na mídia à medida que nos destacarmos mais, nos organizarmos mais, enfrentarmos mais o mundo e, sobretudo, exigir que ele nos abrigue com dignidade.


Blog - Você abriu espaço num grande veículo para abordar a inclusão, sem modéstia, como você avalia a abertura que você e a Folha deram para o tema?

Jairo - Caraca, companheiro, agora você me apertou! Quero tentar responder com fatos: A Folha, por meio da Folha Online, foi o primeiro grande veículo de comunicação do país a abrir um espaço de comunicação permanente sobre deficiência no Brasil, que é o blog Assim como Você. Claro que já havia iniciativas individuais, mas a força e a credibilidade do jornal alavancaram muito o meu trabalho.
A forte adesão e aceitação do público à ideia fez, em poucos meses, o espaço ser muito reconhecido. Tenho total liberdade de falar, dentro do tema, o que eu bem entender. A Direção do jornal já me cumprimentou e elogiou pelo sucesso. Enfim, não dá pra ser modesto, não. Acho que ajudei a botar quatro rodas que estavam paradas a se movimentarem em várias partes do país.
A partir do meu blog, dezenas de outros diários, tão bons quantos, foram criados e se ampliou de forma definitiva o espaço e a visibilidade da pessoa com deficiência. Felizmente, os meus registros de acessos já estão na casa dos milhões e isso chama a atenção.
Não sei até quando ficarei à frente deste projeto, mas me sinto orgulhoso e tê-lo criado e mantê-lo.

  • As expressões entre aspas são expressões que ele costuma utilizar em seu blog.

  • *Fotos: Débora Martins, no 1° encontro dos leitores do blog do Jairo em maio deste ano.
  • 03/12/2009
    Um dia para se refletir
    Eu confesso que passei a tarde toda de ontem a pensar num post que fugisse da pauta principal de hoje para quem se liga no tema da inclusão da pessoa com deficiência. Mas para quem não sabe, hoje, 03 de dezembro, é o Dia Internacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Aeeeeeeeeeeeeee!!!

    Eu, particularmente, acho que quando se cria um dia internacional de alguma coisa é porque tem algo errado na sociedade, que ela faz algum tipo de descriminação. Veja o caso do Dia Internacional da Mulher e nesta semana teve o Dia Internacional em Combate a AIDS. O mesmo acontece com as pessoas com deficiência.

    Como todos sabem, este blog comprou há quase sete meses a briga deste tipo de inclusão, que não é somente a acessibilidade, mas a conscientização da sociedade de que todas as pessoas têm o direito de fazer o que bem entenderem e não serem discriminados por algum defeito físico, sensorial ou mental.

    É interessante ver que os poderes públicos estão criando dispositivos para promover a inclusão, mas esse não deve ser um movimento só de políticos, que sempre estão atrás dos nossos votos para serem eleitos e sim de toda a sociedade

    Entretanto é melhor do que nada. Nesse sentido, a Prefeitura de São José e o Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência realizaram um ato na Praça Afonso Pena (centro da cidade) para celebrar este dia e teve a participação de várias instruções ligadas à inclusão da cidade.

    Hoje ainda, o time de basquete de cadeira de rodas de São José enfrenta o time de Taubaté, no SESC, às 20h. Este é o primeiro amistoso do time joseense depois de 16 anos. (Evandro neles!).

    Muita coisa há para se fazer, mas já temos o que comemorar! Uhulll.

    Não estarei no jogo, pois vou ter a honra de assistir à apresentação de um trabalho de conclusão do Curso de Propaganda e Marketing da Unip, que fala sobre inclusão. Aqui agradeço à professora Fátima Gamallo pelo convite e desde já desejo boa sorte a todos do grupo!
    30/11/2009
    Motorizada 0 x 2 Manual
    O sonho de todo cadeirante é ter uma cadeira de rodas motorizada, não é? Eu consegui a minha há dois anos, por um serviço da prefeitura, até porque, eu teria que trabalhar a vida toda para juntar metade do dinheiro para conseguir uma.

    Gente, cadeira motorizada em sh0opping é uma beleza, você põe a velocidade no máximo e manda ver (eeeeeeeerrrrrrrrrrrrrrmmmmm!!!!). Em vários lugares amplos e com acessibilidade, o uso da cadeira de rodas motorizadas ajudapracaramba.com.br/naodoiobraco.

    Credito: Luis Daniel

    Mas já deu para você sacar que sempre digo que a maioria dos lugares público/privados os conceitos de acessibilidade universal nem chegam perto. Aí, a vida do ser humano numa cadeira de rodas motorizada encarde “bastante de muito”.

    Mas você vira pra mim e pergunta: Por quê? Como?

    Imaginem uma cadeira de rodas com duas baterias de carro atrás, mais o motor e mais um Daniel em cima, nem conto quantos quilos têm, senão perco todos os amigos.

    Se caso eu estiver na “cadeira elétrica” e me deparar com um belo degrau, sem nenhum prognostico de rampa por perto, literalmente, “eu to na roça...”. Não vai ter uma alma viva ou morta que vai conseguir fazer aquela cadeira subir o degrau (nem por levitação, no caso do morto hehehe).

    Nessas horas, a cadeira de rodas é bem mais prática: apareceu o degrau, pede por gentileza, a colaboração de alguém para empinar e o problema está resolvido.

    Outra desvantagem da motorizada em relação à manual é que ela é muito mais complicada de se desmontar para caso precise pegar uma carona no carro de um amigo, já a cadeira de rodas manual, a desmontagem é muito mais simples. Dois zero para a manual.

    E aí, alguém saberia apontar mais alguma diferença
    26/11/2009
    Resultado da enquete novelística
    Gente, para efeito de votação, a enquete está encerrada. O resultado foi o seguinte:

    Se aceitar 71%
    Preconceito 18%
    falta de movimentos 4%
    outros 7%


    Votos computados até as 15h do dia 26 de novembro.

    É o seguinte, na verdade, ela vai passar por todos esses desafios e mais o da acessibilidade que já disse aqui bastante para vocês. Todas essas coisas acontecem no dia-a-dia do deficiente, cabe a cada um saber superar as barreiras, sem necessariamente se fazer de coitadinho.

    Como eu sempre digo e está escrito em amarelo ali no topo do blog: “A dificuldade está dentro de cada um”, se ela descobrir que ELA (pessoa) é mais importante do que o corpo dela, ela saberá, com certeza “Viver a vida” (eu não poderia perder essa hehehe).

    Quem ainda quiser dar sua opinião, fique à vontade.
    23/11/2009
    Enquete novelística
    Com a novela da TV Globo “Viver a Vida” bombando com os desafios que a Luciana (Alinne Moraes) vai enfrentar, para você, qual a maior dificuldade que ela vai passar?

    Credito: TV Globo - Divulgação
    Luciana de Viver a vida


    De se aceitar como deficiente

    O preconceito das outras pessoas

    A falta de seus momentos por causa da deficiência



    Essa pesquisa não tem valor cientifico é apenas para ver a visão de cada leitor, votem nos comentários aqui no blog.

    Aguardo seus votos.
    Luis Daniel é um jovem jornalista e vive sobre quatro rodas desde que nasceu e acha que ainda mudará o mundo. Aqui no VNews, ele escreve sobre um as sunto que ele pensa que entende um pouco: o mundo da pessoa com deficiência, cheio de dificuldades, mas repleto de conquistas.
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