Eles muitas vezes são discriminados e encontram dificuldade para entrar no mercado de trabalho, mas um projeto da Aeronáutica, em São José dos Campos, mostra que os portadores de necessidades especiais podem transformar a deficiência em eficiência.

Os portadores de necessidades especiais trabalham no Instituto de Controle do Espaço Aéreo (ICEA). O departamento é responsável por formar os controladores de vôo que atuam no país e também guardar as informações importantes para a navegação aérea.
Até 2001, as observações meteorológicas feitas na aviação eram registradas em formulários de papel. São dados das décadas 40, 50 e 60, mais de meio século de história. Hoje, tudo passa por um processo de digitalização.
Os digitadores são portadores de necessidades especiais. Aos 27 anos, o digitador Leonardo Pereira Silva tem paralisia cerebral. Fato que não o impede de cumprir o importante papel que tem em casa. "Para mim, é um orgulho trabalhar e ganhar meu dinheiro, além de poder sustentar a minha casa", conta Leonardo.
A iniciativa de incluir deficientes físicos em atividades do ICEA começou há oito anos e os resultados surpreenderam o comandante do instituto.
"A cada dia eles superam as nossas expectativas, porque eles aproveitam cada pequena oportunidade que damos a eles", explica Paulo Roberto Sigaud, diretor do ICEA.
O reconhecimento é a prova da competência que cada um deles tem. "Nós somos deficientes, mas não somos incapazes, muitas vezes somos vistos assim e a nossa vontade é muito grande, de mostrar essa capacidade que nós temos", comenta a digitadora Clélia Andrade.
Desde o início do projeto, cerca de 70 portadores de necessidades especiais já passaram pelo instituto. Atualmente, são 27 trabalhando na digitalização de dados e na simulação de controle do tráfego aéreo.