Cinco dias depois da enchente do Rio Paraitinga, os momentos de medo e tensão deixados pela inundação em São Luiz continuam na memória dos moradores. Em todos os cantos da cidade, as pessoas andavam de um lado para o outro sem rumo e sem casa.

"Você viver sua vida para tentar construir uma coisa, uma casa, e em pouco tempo cair tudo parece um filme que nunca mais vai sair da minha cabeça", disse o estudante e morador da cidade Caio Cabral Antunes.
Em São Luiz do Paraitinga, as águas do rio mostraram o poder de um verdadeiro bombardeio. Em meio aos destroços, Evandro Figueira tentou encontrar algum vestígio da história da própria família. "Aqui é onde eu passei minha infância, onde eu vivi, minha família toda viveu aqui", disse ele.
Maurílio Gonçalves viu sua casa recém construída cair. Os móveis e toda a casa ficou coberta de lama. "Não tem nada inteiro, parece que colocou tudo dentro de um liquidificador e bateu tudo".

Centenas de voluntários da cidade e de municípios vizinhos ajudaram como foi possível. "Nós vamos precisar de muita ação, de pessoas que venham pra cá e coloquem a mão literalmente na enxada", explicou o voluntário José Carlos Imparato.
Além dos prejuízos materiais, o que desolou os habitantes, foi ver o maior orgulho deles desaparecer. O que estava ao redor da praça sempre foi sinônimo de festa. Agora o palco de um dos carnavais de rua mais populares de São Paulo, se tornou um cenário de destruição, tristeza que não para de impressionar os moradores. "Sinceramente, conversando dá vontade de chorar de novo. É uma tristeza", desabafou a moradora Edvânia Aparecida Almeida.
Cunha
Cunha é outra cidade que ainda sente o impacto das chuvas. Há partes do município que continuam isoladas. No centro da cidade, pelo menos 90 casas foram atingidas pela cheia. Dois rios transbordaram: o Paraitinga e o Jacui.

Mas a situação mais difícil mesmo está na zona rural. Sete mil pessoas ainda estão isoladas. Entre elas, turistas que vieram passar o réveillon na cidade e ainda não conseguiram ir embora.
Há muitos acessos interditados. São mais de 600 deslizamentos de terra, 300 pontes no chão em mais de 2.400 quilômetros de estradas rurais. Reparos são improvisados para dar acesso à Guaratinguetá. “Sou nascido e criado aqui, nunca vi um negócio desses. Vai ficar para a história”, disse um morador.

Cunha é o segundo maior município do estado em extensão. Perde só para a capital. Só que a maior parte da área é verde. Por isso, o resgate é mais difícil. “A situação ainda é muito crítica para quem mora na zona rural. Se alguma prefeitura do Vale do Paraíba puder ajudar, apoiar com carregadeira ou até mesmo trato de esteira, porque tem lugar que só trator de esteira chega”, disse o coordenador da Defesa Civil, Cristóvão Alves da Silva.
Em alguns pontos, só dá pra chegar de helicóptero. É do alto que vem a ajuda para o resgate.
Em um trecho, a força da água foi tão grande que dobrou o tamanho do leito e engoliu a estrada.
O rio levou também um campo de futebol.

Uma propriedade foi construída a cinco metros de altura do nível do rio. Mas com a chuva do fim de semana, a água subiu mais três metros. A casa ficou praticamente submersa por 24 horas. No local, tudo é lama.
Segundo a Defesa Civil, ainda há riscos de novos deslizamentos de terra e desmoronamento de casas. Há muitas rachaduras em construções e encostas toda a região é monitorada por geólogos.
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