
Um curso de teologia em São José dos Campos está ensinando a língua dos surdos para futuros padres e outros interessados. O objetivo é fazer com que os deficientes auditivos participem mais das atividades nas igrejas e também da sociedade.
Foi na adolescência que Francisco José da Silva decidiu que seria padre. No terceiro ano da faculdade de teologia, o seminarista passou a ter aulas diferentes. Ele está aprendendo a língua dos surdos. “Vai ajudar, por exemplo, na hora de atender os surdos na confissão, vai ajudar na celebração das missas e também no processo de evangelização, na inclusão dos surdos na igreja”, disse o seminarista.

A Língua Brasileira de Sinais passou a ser matéria obrigatória na grade curricular deste curso em fevereiro. São 55 alunos entre seminaristas, leigos e religiosos. “É uma língua simples, basicamente formada por sinais, por símbolos. E ela, como qualquer outra língua, depende de empenho, basta você aprender as regras básicas e, principalmente, treinar a comunicação”, explicou o professor Rogério dos Santos.
Em novembro de 2009, o Papa Bento XVI solicitou que as igrejas do mundo todo se empenhassem mais na inclusão dos surdos. De acordo com a Diocese de São José dos Campos, hoje aproximadamente 300 deficientes auditivos participam de atividades pastorais na cidade. Todos os domingos, às 11h, são celebradas missas com a língua dos surdos na Catedral de São Dimas. E com essa iniciativa o objetivo é aumentar a participação dos surdos nas paróquias.

Luciana Nathan é bióloga por formação e hoje cursa a faculdade de teologia para aprimorar os conhecimentos sobre a fé que a acompanha desde criança. Com os novos aprendizados adquiridos em sala de aula, ela quer ajudar aqueles que não conseguem ouvir as missas. “Tudo é uma inclusão. Se a gente encontra com um surdo, a gente pode conversar. Se ele está precisando de alguma coisa, desde num supermercado ou na parte profissional, é lógico que isso ajuda. Ajuda na evangelização de qualquer forma, porque a gente está sempre evangelizando”.